Nova Zelândia rompe com Infantino e expõe racha na Fifa após fracasso bilionário
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A Nova Zelândia retirou formalmente o apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da Fifa. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (14 de agosto de 2026), aprofunda a crise que envolve o dirigente suíço de 56 anos após o colapso do plano de venda de 20% dos direitos comerciais da entidade a investidores privados.
O rompimento contrasta com a posição da Confederação de Futebol da Oceania (OFC), que mantém apoio à atual liderança. A Nova Zelândia é o único país da OFC classificado para a Copa do Mundo deste ano. E a primeira nação da confederação a romper com Infantino.
Em comunicado oficial, a federação neozelandesa (NZF) afirmou que "decisões e ações no seio da Fifa contribuíram para uma quebra de confiança e para uma maior divisão no futebol internacional". A NZF considera necessária uma revisão independente para restabelecer a credibilidade da entidade.
Andrew Pragnell, diretor-executivo da Federação de Futebol da Nova Zelândia, foi direto. "Pedimos uma revisão independente especificamente porque não queremos que isso seja simplesmente uma espécie de análise interna e superficial", declarou. "Uma revisão independente é algo que também foi solicitado por outras confederações e que ajudará a recuperar parte dessa confiança."
A decisão neozelandesa ocorre após o colapso do projeto conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE). O plano previa captar cerca de 4,2 bilhões de dólares — aproximadamente R$ 21 bilhões — vendendo 20% dos direitos comerciais das competições da Fifa a investidores privados. Cada associação-membro receberia 20 milhões de dólares (cerca de R$ 103 milhões) no próximo ciclo de financiamento. Valor que poderia dobrar caso assinassem o acordo.
A proposta naufragou. Forte reação contrária de diversas federações nacionais e confederações continentais forçou o recuo. Uma reunião de crise foi realizada no Marrocos na semana passada, onde a Fifa pediu desculpas às associações-membro pelos erros na condução da proposta.
A posição da Nova Zelândia contrasta diretamente com a da OFC. Em comunicado, a confederação oceânica afirmou que "reconhece o progresso alcançado na última década no desenvolvimento do futebol na Oceania sob a liderança da Fifa". A OFC incentiva a entidade a usar a revisão como oportunidade para implementar mudanças necessárias. A declaração evidencia a divisão dentro da própria confederação, com a Nova Zelândia rompendo com a linha oficial do bloco regional.
Infantino enfrenta oposição crescente de três grandes confederações continentais: a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf). Segundo o jornal português DN, essas três confederações representam em conjunto 136 das 211 federações com direito de voto na Fifa.
Além da Nova Zelândia, uma série de federações nacionais já retirou o apoio à candidatura de Infantino. País de Gales, Inglaterra, Finlândia, Sérvia, Suécia, Jordânia, Albânia, República da Irlanda e Noruega integram a lista. A Noruega foi além da simples retirada de apoio e apelou publicamente à demissão de Infantino, segundo reportou a Euronews.
"A NZF entende que este momento representa uma oportunidade para todas as associações membros da Fifa defenderem uma governação mais forte, bem como mais responsabilidade e transparência", afirmou a federação neozelandesa em comunicado. A declaração reflete o tom de crítica à gestão atual e a demanda por mudanças estruturais na governança da entidade máxima do futebol.
Apesar da oposição crescente, Infantino mantém apoio significativo de outras regiões do mundo. As confederações sul-americana (Conmebol) e africana (CAF) declararam apoio ao presidente da Fifa. Entre as federações nacionais, Paraguai, Argentina e México manifestaram sustentação à candidatura de Infantino. Segundo o DN, seis presidentes de federações árabes, entre os quais dirigentes do Qatar e de Marrocos, posicionaram-se recentemente ao lado do dirigente suíço.
Em um desenvolvimento inusitado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio a Infantino numa publicação na rede social Truth Social no início desta semana. Trump afirmou que o dirigente "é fantástico, acabou de presidir ao Mundial mais bem-sucedido de sempre, quatro vezes mais bem-sucedido do que qualquer outro". O presidente norte-americano acrescentou: "Se ele sair, nunca mais voltará a ser tão bem-sucedido ou lucrativo."
Infantino foi eleito presidente da Fifa pela primeira vez em 2016. Agora busca um quarto mandato. Sobre o ano da próxima eleição, há divergência entre as fontes consultadas: a CNN Brasil menciona "Congresso da Fifa do próximo ano", enquanto o DN e a Euronews especificam que a eleição ocorrerá no Congresso de 2027. A eleição envolverá o voto das 211 federações nacionais filiadas à Fifa.
A crise atual representa o maior desafio político enfrentado por Infantino desde que assumiu a presidência da Fifa. O fracasso do plano de venda de participação em direitos comerciais não apenas frustrou uma estratégia de captação de recursos bilionários, mas também expôs fraturas profundas na relação entre a liderança da entidade e suas associações-membro.
A demanda por revisão independente, articulada pela Nova Zelândia e apoiada por outras confederações, sinaliza que parte significativa do futebol mundial exige mudanças na forma como a Fifa é governada. E como decisões estratégicas são tomadas.
O desfecho dependerá da capacidade do dirigente suíço de reconstruir pontes com as confederações e federações que retiraram o apoio. Ou de consolidar uma maioria suficiente entre aquelas que ainda o sustentam.
Esta notícia foi produzida com apoio de inteligência artificial, cruzando informações de: cnnbrasil.com.br, dn.pt, pt.euronews.com.



