Ataques de Nikolas e Eduardo Bolsonaro às vacinas provocam reação oposta nas redes
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Políticos de direita voltaram a atacar as vacinas nas redes sociais. A estratégia não funcionou como esperavam. Levantamento da plataforma Torabit mostra que, entre 93.755 publicações únicas contendo o termo "vacina" no X, Facebook, Instagram e Bluesky entre os dias 3 e 10 de agosto, 65,8% das postagens com posição definida eram favoráveis à imunização. Apenas 34,2% eram contrárias.
O período analisado foi marcado por declarações de Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro contra a imunização. Também coincidiu com o surto de sarampo em São Paulo — que concentrou 23 dos 24 casos registrados no país — e com o início da campanha nacional de multivacinação.
No total, 54,4% das publicações foram classificadas como pró-vacina, enquanto 28,3% foram classificadas como antivacina. Outras 9,4% ficaram sem classificação. Já 7,9% foram consideradas informativas.
Dois dias de pico
Os dois primeiros dias do levantamento concentraram 52,9% de todas as postagens registradas no período. Na segunda-feira, dia 3 de agosto, foram contabilizadas 19,6% do volume total de menções. Na terça-feira, dia 4, esse percentual saltou para 33,3%.
Na quarta-feira, dia 5, houve uma queda para 4% do volume. A discussão voltou a ganhar força nos dias seguintes, impulsionada pelo surto de sarampo em São Paulo e pela publicação do vídeo de Eduardo Bolsonaro.
A evolução diária da proporção entre publicações pró-vacina e antivacina revela uma inversão após os ataques iniciais. No dia 3 de agosto, havia praticamente um empate técnico: 41,2% das publicações eram pró-vacina e 41,1% eram antivacina. No dia seguinte, a vantagem passou para o campo favorável à imunização, com 56,1% contra 32,8%.
Na quarta-feira, dia 5, a diferença aumentou significativamente. Chegou a 66,9% de publicações pró-vacina e apenas 16% antivacina. Na quinta-feira, a proporção se manteve relativamente estável, com 64,6% pró-vacina e 16,8% antivacina.
Vídeo de Eduardo Bolsonaro provoca reversão temporária
Na sexta-feira, dia 7, quando Eduardo Bolsonaro publicou seu vídeo, houve uma reversão temporária: a proporção de publicações favoráveis à vacinação caiu para 48%, enquanto as contrárias subiram para 22,2%. No sábado, os números foram de 48,5% pró-vacina e 24,3% antivacina.
No domingo, dia 9, a tendência voltou a se inverter. Atingiu 66% contra 18,8% de conteúdo antivacina. Na segunda-feira, dia 10, último dia do levantamento, foi registrada a maior diferença de todo o período: 82,1% das publicações eram pró-vacina e apenas 10,3% antivacina.
A Torabit identificou uma dinâmica após as duas principais ondas antivacina do período: um aumento imediato da discussão seguido de reversão da tendência. O efeito de cada investida antivacina sobre a distribuição das posições durou aproximadamente 48 horas antes de a tendência voltar a crescer a favor da vacinação.
Os dados não permitem determinar se os ataques provocaram diretamente o aumento de manifestações pró-vacina. O período também foi marcado pelo surto de sarampo em São Paulo e pela campanha nacional de multivacinação.
Nikolas Ferreira perde força em 48 horas
O vídeo de Nikolas Ferreira, publicado no dia 2 de agosto, retomou afirmações sobre a pandemia de coronavírus. Representou 3% de todas as menções sobre vacinas registradas no período analisado. O pico de repercussão ocorreu na segunda-feira, dia 3, quando 6,5% das menções sobre vacinas estavam relacionadas ao deputado.
Entre as publicações que mencionavam Nikolas Ferreira, 87,9% foram classificadas como pró-vacina. Apenas 5,8% eram antivacina. A repercussão perdeu força rapidamente: a partir da quarta-feira, menos de 1,5% das menções diárias estavam relacionadas ao vídeo.
As publicações mais compartilhadas contestavam as afirmações do deputado sobre a pandemia.
Eduardo Bolsonaro tem impacto maior e mais duradouro
O vídeo de Eduardo Bolsonaro teve impacto maior e mais duradouro. Publicado em 7 de agosto, mostrava uma declaração assinada no Texas em que o deputado assumiu responsabilidade pela decisão de não vacinar a filha. Eduardo defendeu a liberdade dos pais para decidir sobre imunização, usando o modelo texano como exemplo.
O conteúdo representou 6,4% de todas as menções sobre vacinas no período. Na sexta-feira, dia 7, correspondeu a 9,7% das menções. O pico ocorreu no sábado e no domingo, quando esteve presente em 26,2% das publicações sobre vacinas em cada um dos dias.
Entre as publicações que citavam Eduardo Bolsonaro, 31,6% eram antivacina, contra 60,9% pró-vacina. Mesmo com uma proporção maior de conteúdo antivacina em comparação ao caso de Nikolas Ferreira, as manifestações favoráveis à imunização foram maioria.
A discussão incluiu críticas sobre responsabilização e contradições atribuídas à família Bolsonaro. Publicações afirmavam que integrantes da família são vacinados enquanto fazem campanha contra a vacinação.
Surto de sarampo em São Paulo entra no debate
O surto de sarampo em São Paulo também teve papel relevante no debate. Com 23 dos 24 casos de sarampo do país identificados no estado, as menções ao surto representaram 10,6% de todas as publicações analisadas.
Na segunda-feira, dia 3, correspondiam a 3,7% das menções sobre vacinas. Na sexta-feira, dia 7, subiram para 15% das menções, e no sábado, dia 8, atingiram 15,7%.
Entre as publicações que mencionaram sarampo, 72,7% foram classificadas como pró-vacina, 24,1% como informativas e apenas 2,1% como antivacina. Outras 1,2% ficaram sem classificação.
Mulheres mais favoráveis à vacinação
A análise por gênero dos perfis também revelou diferenças significativas. Entre perfis femininos com posição definida, 67% das menções eram pró-vacina e 33% antivacina. Entre perfis masculinos, a proporção foi de 56% pró-vacina e 44% antivacina.
Em um levantamento anterior da Torabit, que analisou os primeiros cinco dias do período, a diferença era ainda mais acentuada: 68% pró-vacina entre mulheres contra 51% entre homens.
A análise de sentimento das publicações mostrou que 42,3% das menções tinham tom negativo, enquanto 27,2% tinham tom positivo. O tom, porém, não indica necessariamente a posição sobre vacinas.
Segundo a Torabit, 62% das publicações classificadas como negativas eram, na verdade, pró-vacina. Uma publicação pode defender a vacinação usando linguagem negativa ao criticar um político ou uma declaração antivacina. A plataforma analisa a classificação de posição e o sentimento separadamente: a classificação de posição mede se o conteúdo é favorável ou contrário à vacinação, enquanto a análise de sentimento identifica o tom da publicação.
Segundo a Torabit, os ataques às vacinas promovidos por políticos de direita ampliaram a discussão sobre imunização nas redes sociais, mas foram seguidos por uma reação majoritariamente favorável à vacinação.
Esta notícia foi reescrita com apoio de inteligência artificial a partir de conteúdo publicado em bbc.com.


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